Início OPINIÃO RADAR FLORIANO: A geração do “já teve” se renovou
RADAR FLORIANO: A geração do “já teve” se renovou

RADAR FLORIANO: A geração do “já teve” se renovou

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Cresci com a temida frase que todo florianense já ouviu: Floriano, a terra do já teve. Mas a minha geração, nunca teve contato com aquilo que outrora era comum na nossa terrinha. Mas hoje, nós que estamos acima da fase dos trinta, podemos dizer, que o nosso “já teve” está presente, renovando-se a cada dia.

Em meados de 2000, me mudei pra Floriano, ainda um adolescente franzino e cheio de esperanças e vi aquela cidade gigantesca (em minha visão), cheia de arte, cultura, tradições e novidades o meu futuro.

O melhor carnaval do Piauí, diziam, bailes, blocos de carnaval, desfiles… Em julho tem a Regata (Organizada pela TV Alvorada e Rádio). Em junho, festa juninas e bumba meu boi pra todo lado. Paixão de Cristo, ainda miúda, na praça matriz. Festivais de Teatro, rodas de leitura, cais movimentado de famílias no final da tarde, um restaurante (com festa para crianças e adolescentes) no atual Terminal Turístico, pessoas escrevendo livros, memorias, poemas, bandas de música que faziam sucesso em todo o nordeste (Banda Paquera) e inúmeras outras coisas que dava a Floriano um ar mágico. A gente cresce e percebe que tudo isso, sumiu.

Hoje, olho pra trás, recém entrado na casa dos 30 e sinto saudades. Nosso carnaval, está se definhando, perdendo espaço pra cidades menores e com menos estrutura que a nossa. Os blocos de carnaval que invadiam nossa cidade sumiram e com eles os foliões que vinham de todo o Estado. A economia gerada nessa época não está mais indo para as mãos dos nossos cidadãos. Os últimos cinco anos foram um ultraje pra quem gosta de curtir um bom carnaval de rua, do ano passado pra cá, a atual gestão tenta resgatar, mas as pessoas descobriram a estrada para o litoral e acho difícil elas descerem. Iniciativas particulares, quase nulas, ainda tentam reviver a paixão (A exemplo um grupo de florianenses que está organizando um evento carnavalesco particular tradicional no CEC).

Os empresários, esqueceram ou desistiram de investir no carnaval da princesa. Talvez decepcionado com os resultados dos últimos anos ou muito mais provável acostumados a trabalhar pouco e lucrar muito, sim, hoje as pessoas conhecem as bandas, custos e ninguém mais está disposto a entregar trezentos reais pra ser mal atendido e ouvir bandas irrelevantes. Precisamos crescer junto com a cidade, mas Floriano parou. Parou de crescer, parou de romper barreiras, parou de ser pioneira. Simplesmente, parou.

Andando pelas ruas de Floriano, percebi que o clima, que rondava todo o janeiro sumiu. Ninguém mais espera o carnaval, ele só acontece. E isso, meus amigos, é triste. Vivemos tempos de crise, e não falo financeira, crise espiritual. Precisamos nos conectar com o que nos faz bem e a nostalgia do passado nos faz tão bem que deveríamos trazer as partes boas dele de volta.

Como florianenses apaixonados não podemos deixar o espirito do carnaval morrer, nem o bumba meu boi do Né Preto, nem as festas juninas nos bairros, reviver a Regata no nosso Rio Parnaíba e porque não visitar com sua família o cais do porto no final da tarde de um domingo. O espirito da Princesa do Sul, está dentro de nós, espero que não esteja morto.

*Allan Aquino é produtor cultural, militante político ligado ao movimento LGBT, social e estudantil. Nascido em Água Branca é apaixonado por Floriano. Formado em Geografia pela Universidade Estadual do Piauí tem como área de interesse geopolítica. Aquino escreve sobre política, atualidades e cultura

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