Início OPINIÃO PENSE NUM ABSURDO: Floriano não pode viver dias de um futuro esquecido
PENSE NUM ABSURDO: Floriano não pode viver dias de um futuro esquecido

PENSE NUM ABSURDO: Floriano não pode viver dias de um futuro esquecido

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Chegado as comemorações de fim de ano um sentimento generalista toma conta da maioria: renovação. Seja ela de esperança ou recomeços, todo mundo espera um ano melhor do que esse breve findará. É esse o meu sentimento enquanto jornalista, enquanto filho dessa terra de gente trabalhadora, humilde e que sabe acolher quem está de passagem ou os que aqui a escolheram como morada.

Desejo que 2017 seja de boas notícias para todos nós, florianeses! Que o medo e insegurança sejam substituídos por coragem e gosto de cidade pacata e boa para se viver. Que a crise que abala o comércio, principal setor da economia florianense, dê uma trégua e o empreendedor tenha fôlego para investir, lucrar e seus colaboradores possam dormir tranquilos com a garantia de emprego e renda para o sustento de suas famílias. Que não nos falte fé para crer que dias melhores virão, afinal 2016 passa, mas a gente fica!

Esses dois parágrafos acima de pura positividade é o desejo sincero desse jornalista que vos escreve. Diante de tal vislumbre e momento de sublimar meu votos por dias melhores, tenho que externar minha preocupação sobre a autoestima de uma cidade que tem perdido seu brilho e deixado o status real, pois ainda somos filhos da Princesa do Sul e vivido dias de plebeus…

Me incomoda notar na população o sentimento de saudosismo que impera com aquela velha impressão do “já teve”. Não há marasmo pior do que uma cidade como Floriano viver de saudade. Afinal, por que vivemos dias de um futuro esquecido?

Na semana passada, a Fundação Cepro divulgou, numa parceria com o IBGE, o PIB (Produto Interno Bruto) dos Municípios de 2014. Foram avaliados o fluxo de produção dos municípios pelos segmentos da Agropecuária, Indústria e Serviços, além dos Impostos medidos indiretamente e o PIB per capita.

O ranking dos cinco maiores PIBs por município, em 2014, apresenta Teresina em primeiro lugar, seguida de Parnaíba, Picos, Uruçuí e Floriano. De 2011 a 2014 as três primeiras posições não se alteram, já os municípios de Floriano e Uruçuí trocaram de posição. A mudança de Uruçuí de 5° para o 4° lugar se dá em função de retração no setor serviços em Floriano e crescimento da indústria e do agronegócio em Uruçuí.

Uruçuí somou 2,53% do PIB estadual, ênfase aos setores Serviços e Agropecuária. Já Floriano detém 2,42% do montante com destaque ao setor Serviços com 87,90% da economia municipal. Se levarmos em consideração que esses dados são de dois atrás, a diferença entre essas duas cidades deve estar muito mais acentuada, tendo em vista que a crise econômica teve início em 2008 nos EUA, mas só chegou ao Brasil em meados de 2012. Quem sofreu mais? A agricultura dos cerrados ou o comércio e serviços?

Obviamente o comércio florianense tem vivido dias tenebrosos. Uruçuí, mesmo com a estiagem que assola o nordeste brasileiro, pode sorrir à toa, pois os investimentos dos últimos anos minimizaram os impactos da seca no sertão e perda agrícola – mesmo afetada – manteve sua produção acima da média.

Mas voltando para Floriano, não venho aqui apontar erros ou culpados, meu papel não é esse e como o assunto é economia, sei bem que uma coisa é certa: nada é certeza. Meu papel é instigar novas percepções sobre a nossa cidade. Somos um polo educacional e de serviços com abrangência no Médio de Parnaíba, Sul do Piauí e parte do Maranhão. Temos fortes grupos empresariais em atuação, mas ainda sim falta mão-de-obra qualificada para atuar em determinados seguimentos. Falta ainda uma veia inspiradora para a maior parte dos micro e pequenos empresários que insistem em não se formalizar pensando que estão fugindo apenas dos impostos do governo, mas com tal atitude, acabam afugentando boa parte da clientela.

Uma outra preocupação é a falta de emprego para jovens que estão saindo do ensino médio ou finalizando curso superior e já procuram oportunidades. O sentimento de independência nasce cada vez mais cedo, mas a falta de oportunidade leva a maioria a outros caminhos tortuosos ou obriga grandes talentos a migrarem de cidade onde possam desenvolver seus projetos. Em Teresina, uma saída para abarcar essa juventude “nem-nem” tem sido a parceria entre prefeitura e as empresas de call centers que recebem incentivos para se instalarem no município e oferecer oportunidade de emprego com remuneração a partir de um salário mínimo.

São muitas os questionamentos sobre o que faz uma cidade crescer. Mas a verdade é que todos nós somos responsáveis por fazer com que oportunidades se tornem reais. Não adianta viver de passado, ostentando título de princesa se a maioria da população não vive como tal. É preciso que a iniciativa pública (prefeitura, governo do estado e governo federal), iniciativa privada e outros organismos (CDL, Sebrae, Senac, Fiep e outros), se unam para renovar e reforçar o comércio de Floriano em um pacto por um legado maior. O de uma cidade criativa e de vanguarda que sempre esteve à frente.

*Jornalista e cientista político, Denilson Avelino é editor-chefe do Portal iFloriano.com e atual repórter da Rede CBN (Central Brasileira de Notícias) no Piauí. Vencedor de algumas premiações, como o Prêmio Piauí de Reportagem, Avelino já passou pelas redações do Sistema de Comunicação de Picos, Rede Meio Norte e Revista Fecomércio. Escreve sobre cotidiano, sociedade, política e tudo mais que der vontade. 

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