Início OPINIÃO PENSE NUM ABSURDO: E se o carnaval de Floriano não prestar?
PENSE NUM ABSURDO: E se o carnaval de Floriano não prestar?

PENSE NUM ABSURDO: E se o carnaval de Floriano não prestar?

0
0

Dias desses, bebendo uma cerveja com amigos ali no antigo bar do Posto 5, entre um papo e outro, uma moça se aproxima da nossa mesa, cumprimenta a todos e é recebida calorosamente por uma das pessoas que me acompanhava. Perguntaram um ao outro como estavam, se elogiaram e demonstraram carinho ao relembrar determinado momento que viveram juntos de maneira bastante amigável e urbana. Ao final da conversa, a moça pergunta a meu amigo onde ele irá passar o carnaval este ano.

Após uma pausa de segundos, ele responde prontamente: “Em Água Branca”. Sem hesitar, a garota devolve: “Pois eu vou ficar aqui. Joel voltou!”, disse com um sorriso escancarado no rosto como se fosse o último carnaval de sua vida. Naquele instante, foi aquele momento em que me dei conta sobre como o eleitorado se baseia o voto. O tal do “sufrágio universal” é mesmo maravilhoso, não? As consequências do voto também.

O que está em jogo aqui não é como a prefeitura vai se virar, com as contas no vermelho e um rombo de milhões de reais, para fazer o melhor carnaval do Piauí como um dia Floriano teve, mas sim – como foi amplamente divulgado ano passado tão logo a equipe de transição teve acesso às contas da PMF – revitalizar uma festa que há anos perdeu o gás e a maioria daqueles que pularam arrastões ou viveram tórridas paixões de carnaval nos blocos privados ou na pipoca vão encarar a nova realidade econômica do município.

Temos outras prioridades urgentes? Sim. Esse dinheiro poderia ser gasto em saúde e educação? Sim. Mas o que fazer com a autoestima de milhares de florianenses que acreditam nesta nova gestão tanto ao ponto de dar esse voto de confiança para o maior e melhor carnaval de suas vidas? Assim como em outras regiões, Floriano tem suas peculiaridades e nossa tradição é o carnaval. Isso é inegável. Temos o turismo religioso da Paixão de Cristo, alguns festivais juninos e uma ou outra apresentação artística que cambaleia para sobreviver sem incentivo algum, seja da iniciativa pública ou privada, mas o que Floriano respira de verdade? O Carnaval.

Já perdi chinelo, tomei porres, beijei, pulei e brinquei descendo no Arrastão da Avenida Bucar Neto e vi um mar de gente se formar diante dos meus olhos. Nos blocos alternativos e privados, nas ruas fechadas pela vizinhança, no cheiro de urina misturada com cerveja que lavava a Getúlio Vargas, tantas histórias pra contar, tanto beijos roubados e outras vergonhas também, diga-se. A alegria do povo, mesmo que por uns dias ou a ressaca que só era curada com a “comida de caldo” feita por nossas mães, tudo isso pode soar com saudosismo, mas é o que esperamos um dia reviver.

Esse pode não ser o melhor carnaval de nossas vidas, mas pode ser o início da mudança. Comecei a escrever esse artigo com a ideia de fazer uma crítica sobre o pensamento egoísta do voto e suas consequências, mas no desenrolar percebi que também sinto saudade da época em que dizia meus amigos que era de Floriano e eles brilhavam os olhos aguardando convite para “brincar” carnaval na minha cidade, a Princesa do Sul.

*Jornalista e cientista político, Denilson Avelino é editor-chefe do Portal iFloriano.com. Foi repórter da Rede CBN (Central Brasileira de Notícias) no Piauí. Vencedor de algumas premiações, como o Prêmio Piauí de Reportagem, Avelino já passou pelas redações do Sistema de Comunicação de Picos, Rede Meio Norte e Revista Fecomércio. Escreve sobre cotidiano, sociedade, política e tudo mais que der vontade. 

DEIXE SEU COMENTÁRIO

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *