Início OPINIÃO PENSE NUM ABSURDO: Dias e Oposição que só aparece nas eleições
PENSE NUM ABSURDO: Dias e Oposição que só aparece nas eleições

PENSE NUM ABSURDO: Dias e Oposição que só aparece nas eleições

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Verdade seja dita: no Piauí não existe oposição a governadores e os que se colocam nesta seara não têm voz suficiente – pregando o deserto ou nem isso. A maioria se omite e quem fala e bate muito, como o deputado estadual Robert Rios (PDT) acaba por estar mais perto da caricatura raivosa que de uma oposição digna de nota. Aos fatos!

Mesmo com um terceiro mandato sem grandes novidades, Wellington Dias (PT) ainda é o favorito para as eleições que acontecem em outubro e pode, se não acontecer algo muito controverso, se reeleger. Pode não ser com a mesma folga, pois convenhamos, derrotar o agora presidente da Fiepi foi café com leite para o Indiozinho. Zé Filho, sempre foi visto como um oponente preguiçoso e sem capilaridade eleitoral suficiente. Em resumo: não tinha nem tem votos para sonhar com uma cadeira que ocupou por herança. Foi para a eleição de 2014 como peru que morre de véspera.

Passada a eleição do terceiro mandato e com uma Assembleia Legislativa a lhe dizer amém, Wellington Dias goza de uma boa estabilidade e mesmo que seu mandato não seja mais original e tenha perdido o vigor de outrora, ele segue como preferido do eleitorado. Além, claro, de um marketing pessoal e de governo que lhe inventa uma boa imagem, o governador conta com outro fator a lhe favorecer na disputa política que se avizinha: desorganização dos que lhe pretendem dar combate.

Enquanto seus opositores trilham um caminho sem bússola, o último dos moicanos petista sabe muito bem o que quer e a direção onde vai levar sua trajetória política está muito bem desenhada na engenhosa cabeça grande e cabelos negros e lisos, ligeiramente partidos do índio. Se fizermos as contas, Dias tem garantido – por baixo – mais dezesseis anos em cargos públicos. Se for reeleito, lá se vão oito anos de governo. Se resolver sair para tornar a concorrer ao Senado Federal e vencer, tem mais oito anos de mandato.

Enquanto isso, a realidade da oposição no Piauí, que sempre foi tímida para não dar um adjetivo pior, “viaja na maionese” e nos delírios de sentir o poder pelas mãos do Karnak outra vez. Não parece haver tato e organização ou uma agenda unificada para tal. Exemplos não faltam e começo a escrever sobre o que protagonizou a pior derrota de todos os tempos, e não estou falando do Zé Filho e sim de Wilson Martins (PSB), que amargou derrota nas urnas na sua tentativa de chegar ao Senado e viu sua vaga escapar-lhe por entre os dedos, enquanto esperneava e cobrava sua equipe por números e melhores resultados nas pesquisas eleitorais. Pior: viu-se derrotado por Elmano Ferrer (MDB), que, diga-se, deve ter sido melhor como prefeito, pois no Senado até agora não mostrou que é o “Vein Trabalhador”.

Wilson que foi aliado e vice de Wellington Dias, hoje está num campo adversário e aparentemente irreconciliável, no qual obteve a projeção que desfruta. Disputa a paternidade de obras e ecoa o discurso de governo “cansado” do seu antecessor. É complicado e incoerente esse discurso quando sabemos que, passada a eleição, todos sentam-se à mesma mesa e degustam uma boa dose de uísque.

Depois da derrota, Wilson Martins tirou para si um período sabático para se reciclar profissionalmente (ele é médico) e volta agora com “gás” para pleitear novamente uma vaga ao Senado. Quer dizer então que só se trabalha pelo Piauí quando se tem um mandato? Pensemos. Mas o “Trator”, não é o único nesse turbilhão de egos que falam muito e pouco fazem.

Pegando o mesmo gancho, temos o príncipe incompreendido, João Vicente Claudino. De família abastada, JVC poderia ser do tipo que nunca precisaria trabalhar e muito menos se envolver em política. Ele pode até não admitir, mas gostaria de ter uma oportunidade como gestor público. Depois do Senado e a campanha ao governo que não vingou, decidiu sair da vida pública e se dedicar à família. Fez isso. Não se pode negar. Contudo, terá ele tomado a melhor e mais acertada decisão? Acredito que não. JVC deveria ter conciliado sua vida pública que estava em início de carreira com seu papel de pai e marido amoroso. Mesmo porque, dizem muitos analistas, depois da derrotada em 2010, ficando em terceiro lugar, JVC tornou-se mais conhecido ainda e colocou seu nome à disposição do povo piauiense com uma via em comparação aos caciques políticos da época.

Foi um erro grave para sua imagem se manter recluso dos problemas do Estado e dar com ombros, como se o governo do estado fosse um mero capricho de um menino rico que não ganhou um iPhone no Natal. Se tivesse continuado a andar pelo Estado, hoje poderia ser um nome ainda mais consistente para buscar a vaga de governador.

Agora, partimos para o caso mais grave e destoante da oposição piauiense, o Curioso Caso do PSDB, que, ao contrário da fábula de Benjamin Button, envelheceu bastante, mas sempre quer se ver novo – o que não é, porque não se reinventa.

O que você deve saber para antes de mais nada: Firmino Filho não tem disposição nem condições de ser candidato ao governo do Estado. Ele sabe que, assim como Wellington Dias, é a última liderança do seu partido com votos e deixa sempre uma dúvida no ar sobre seu futuro político. Por outro lado, a vitória de Firmino no pleito de 2016 pareceu folgada, mas há um engano e ele sabe disso.

O prefeito “Suadão” venceu por 51,14%, atrás dele, o azarão Dr. Pessoa, seguido do azarado do Amadeu. Houve, então, em 2016, o risco de Firmino ir para o segundo turno e com boas chances de Pessoa derrotá-lo.

Firmino precisa mostrar trabalho e deixar a Prefeitura para concorrer ao governo do Estado seria um risco, uma aventura que ele, no auge de seus 54 anos, não tem mais a necessidade de correr. Vai permanecer na prefeitura e tentar a reeleição, só depois vai pensar no que fazer.

Ainda no PSDB, parte da mídia piauiense com boas doses de especulação barata, tentam empurrar goela abaixo do eleitor o nome de Luciano Nunes como o candidato ideal, o queridinho. Não sei o que me dá mais vergonha… Se é ler isso nos portais quase que como um mantra ou ouvir nas TVs o próprio Luciano dizer que sente honrado com a “lembrança” de seu nome. O que estão vendendo como “nova alternativa” faz parte do velho jeito de fazer política no Piauí. Onde os mandatos são feudos e tudo parece estar milimetricamente dividido. Tudo é passado para as gerações futuras e assim por diante. Estão no mesmo barco os deputados Severo Neto, Pablo Santos, Flavio Nogueira Jr, Georgiano Neto, Marden Menezes e por aí vai. Sacaram o que quis dizer, não é?

Mas há outros nomes a pré-candidatos a governador, como o jurista Valter Alencar (PSC), e o empresário Fábio Sérvio (PSL) e o ex-ministro João Henrique Sousa (PMDB). As duas primeiras, apenas simbólicas que não tem representatividade alguma. A terceira é só criar mais confusão ainda dentro no próprio partido mesmo. Bem, acho que me estendi demais. A verdade é que ser governo é muito bom, mas há responsabilidades e ser oposição pode até ser vista como um castigo, mas se for combativa, organizada e programática, o jogo pode virar. Mas essa é uma outra história…

*Jornalista e cientista político, Denilson Avelino é editor-chefe do Portal iFloriano.com. Foi repórter da Rede CBN (Central Brasileira de Notícias) no Piauí. Vencedor de algumas premiações, como o Prêmio Piauí de Reportagem, Avelino já passou pelas redações do Sistema de Comunicação de Picos, Rede Meio Norte e Revista Fecomércio. Escreve sobre cotidiano, sociedade, política e tudo mais que der vontade. 

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