Início OPINIÃO JOGANDO NA CARA: A surpresa e não necessariamente a novidade é o que se vê na eleição francesa
JOGANDO NA CARA: A surpresa e não necessariamente a novidade é o que se vê na eleição francesa

JOGANDO NA CARA: A surpresa e não necessariamente a novidade é o que se vê na eleição francesa

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Sobre a eleição francesa, embora monsieur Macron seja muito mais do mesmo, a novidade é a surpresa, o que não quer dizer necessariamente o novo. Os dois candidatos que disputaram o segundo turno não podem ser notados como novidade. O presidente eleito foi ministro das Finanças do atual presidente e a derrotada é a filha de um político (Jean-Marie Le Pen) que tentou duas vezes ser presidente. Ela própria já fora candidata em 2012.

Note-se que, em dezembro, quando gaullistas e socialistas (direita e esquerdas clássicas) se movimentavam para escolher seus candidatos, o novo presidente francês sequer aparecia citado. Também não se falava tanto em Jean-Luc Mélenchon, que certamente ficou com o eleitorado de esquerda, obtendo um terceiro lugar no primeiro turno. Em 2012 ele já tinha disputado sem chances, mas o vácuo deixado pelo mau desempenho de Holande abriu-lhe as portas para avançar.

Pelo que se lia em dezembro, o candidato socialista seria não o presidente François Holande, o primeiro desde os anos 50 a não tentar se manter no Palácio do Eliseu, a sede da Presidência na França. Apresentou-se para a disputa o ex-primeiro-ministro de Holande, Manuel Vals. Sequer foi candidato, pois perdeu as primárias para Benoît Hamon, bem mais à esquerda que os dois falcões do partido, mas isso o fez escapar de uma derrota acachapante: o Partido Socialista, no poder, viu seu candidato chegar em quarto lugar.

A esquerda se encaminhou ainda mais para a esquerda. O socialista Hamon teve menos de 7% dos votos no primeiro turno. Jean-Luc Mélenchon, descrito como de extrema esquerda, ficou com 19%.

No espectro da direita gaullista, as prévias do Partido Republicano sepultaram a carreira política do ex-presidente Nicholas Sarcozy, que ficou em terceiro lugar, atrás de François Fillon, o vencedor, e do também ex-primeiro-ministro Alain Juppé. Não chegava a ser uma surpresa, mas isso ocorreu em novembro, o que parecia indicar já bem antes da eleição que as velhas caras não fariam tanto sucesso. Nas urnas, Filon ficou com menos de 20% dos votos.

Tanto Filon quanto Hamon protagonizaram uma página ruim para suas biografias: eles foram os primeiros candidatos dos espectros políticos socialista (de esquerda) e gaullista (de direita) em 60 anos a não participar do segundo turno de eleição presidencial na França.
Os dois candidatos que disputaram a segunda rodada eleitoral das presidenciais franceses – a senhora Le Pen e o senhor Macron – podem ser tudo, menos caras novas. Ocorre é que se apresentam com tal. Macron foi ministro das Finanças de Holande e Le Pen é um nome que já apareceu quatro vezes em cédulas eleitorais para a Presidência da França, além de representar ideias nacionalistas com cheiro de mofo. No entanto, tinham um discurso com verniz de novo.

A surpresa, e não necessariamente a novidade, como dito, parece ser essa uma questão central não somente das eleições francesas, mas de pleitos em todo o mundo – Brasil incluído.

*Claudio Barros Araújo entrou numa redação aos 15 e desde então segue fazendo jornalismo todo dia e o dia todo. Passou nas principais redações de veículos de comunicação do Piauí. Lê e escreve compulsivamente. E lá se foram mais de 35 anos de jornalismo.

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