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Ética seletiva e os falsos discípulos

Ética seletiva e os falsos discípulos

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Há uma guerra de egos nas redes sociais que chega a beirar o ridículo. São inúmeros “aspones” (Assessor de PORRA Nenhuma) prontos para o debate acalorado e cheio de opiniões nervosas sobre Presidência da República, Operação Lava Jato e qualquer outro tema que possa aloprar os possíveis candidatos para 2018. É uma babaquice sem fim. Lula, Ciro Gomes, Dória e Bolsonaro, este último, erroneamente comparado a um mito, são os cavalheiros do apocalipse eleitoral e responsáveis pelo toque das trombetas da guerra virtual sem precedentes.

Li na minha time line, algo que me chamou atenção. Não somente pelo tom irônico da postagem, mas também pela reflexão que me causou. Em uma rede social, um contato publicou que deveria ser um tipo de síndrome de Estocolmo o fato de existir homossexuais defendendo a candidatura de Bolsonaro e “pobre” apoiando Dória. Realmente, devo concordar. É uma sandice sem limites gays defenderem apoio a alguém que já externou inúmeras vezes sua aversão ao povo LGBT. Mas por outro lado, o que tem haver um pobre apoiar um gestor que tem mostrado – mesmo que de maneira populista – capacidade para gerenciar uma cidade do tamanho de São Paulo com eficiência e compromisso com a coisa pública.

“É assim que começa. A febre. A raiva. Que transforma homens bons em cruéis.”, Alfred em Batman vs Superman.

Sabe, é preocupante o silêncio dos que arrotam consciência política, mas se calam quando o governador do Piauí cria cargos a “folote” para acomodar o mesmo partido que jogam pedras em nível nacional. É triste ver essa gente que tem um ponto de vista para tudo, mas que nunca olha para o seu quintal ou tem sempre um discurso preparado de uma velha cartilha para sair pela tangente. Quer dizer então que um prefeito que abriu mão de seu salário deve ser rechaçado pelo fato de ser rico e um governador que busca garantir sua reeleição e acomoda um partido que logo, logo vai dar-lhe um pé na bunda deve ser aplaudido? Que matemática é essa?

Há falsos discípulos pregando por aí. Não deixem que a complexidade da crise econômica e política do país desvirtuem o pensamento para o canto ideológico, libertário e utópico do radicalismo cheio de doutrinas rasas e que muito pouco se aplica na prática. Esse ódio que tem sido externado colocando ricos contra pobres, gays contra héteros e outros tantos contrapontos é apenas uma máscara para inflamar a massa e rivalizar o debate como se estivéssemos em um Estado de exceção.

O pior de tudo isso é uma contaminação e promiscuidade política no discurso que discípulos da direita e esquerda entoam por aí como se fossem donos da verdade. Certa vez assisti uma entrevista da ex-senadora Heloisa Helena, hoje no REDE, que transcrevo parte de suas palavras onde ela relata a maneira como a distorção do discurso tem se encaixado em ambos os lados. Ou seja, é preciso encontrar coerência até para criticar. Afinal, diz Heloisa Helena, “não dá pra esquecer oito anos de governo FHC e treze anos de governo petista envolvendo tráfico de influência, intermediação de interesse privado, exploração de prestigio, corrupção passiva e ativa, crimes contra a administração pública, falência do aparelho do Estado, desestruturação completa da saúde e educação, caos na segurança pública e se apresentar como opção entre a falsa polarização entre PT e PSDB, junto com o PMDB que se junta com qualquer um”.

Ou seja, não adianta ter ética seletiva. Criticar o outro e não fingir que não existe uma crise administrativa dentro do governo do estado, mas enquanto todos estiverem acomodados e o Governo Federal pegar fogo, tudo está indo bem. Ser cínico e dissimulado é mais fácil do que aceitar que política é bem diferente de politicagem. Essa guerra virtual de certo e errado precisa chegar ao fim, pois no fim das contas, só quem perde somos nós: eleitores. Pense num absurdo…

*Jornalista e cientista político, Denilson Avelino é editor-chefe do Portal iFloriano.com. Foi repórter da Rede CBN (Central Brasileira de Notícias) no Piauí. Vencedor de algumas premiações, como o Prêmio Piauí de Reportagem, Avelino já passou pelas redações do Sistema de Comunicação de Picos, Rede Meio Norte e Revista Fecomércio. Escreve sobre cotidiano, sociedade, política e tudo mais que der vontade. 

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