Início OPINIÃO PENSE NUM ABSURDO: Despertar de um pesadelo “o apego emocional”
PENSE NUM ABSURDO: Despertar de um pesadelo “o apego emocional”

PENSE NUM ABSURDO: Despertar de um pesadelo “o apego emocional”

0
0

Meu processo de escrita é bem peculiar. Penso em muitos assuntos, projeto, faço esboços, mas no fim sempre escrevo sobre algo que não tem nada a ver com a ideia original. Intrigante como o cérebro humano funciona. Mais intrigante ainda é que decidi escrever sobre sentimentos.

Faz mais de cinco anos que estou solteiro. Meu último relacionamento terminou em meados de 2013 de maneira conturbada e acusações mútuas de descaso e descompasso. Admito parte da culpa. Fui chamado para trabalhar em Teresina depois de uma temporada em Picos e estava empolgado com a nova jornada. Era um novo projeto e estava feliz com as possibilidades que surgiam. Em Picos, apesar da gratidão, estava profundamente triste com o trabalho e o mercado de trabalho. Recordo-me das vezes que chorava ao calçar os sapatos para ir trabalhar. A falta de perspectiva me deixava paralisado, mas esse é assunto para outro texto. Voltando…

Quando me mudei para Teresina, meu relacionamento com promessas de um futuro tranquilo e planos para uma vida a dois foram pelo ralo. A troca de mensagens e ligações diárias se tornaram semanais, os assuntos que fluíam e rendiam incontáveis horas de gargalhadas ou conversas de cumplicidade sumiram. É como um poço que vai secar, mas você não procura uma nova fonte por preguiça ou comodismo. A pessoa que eu amava se tornara alguém estranho e distante. Era alguém que deixei de reconhecer.

Por muito tempo, ao longo desses últimos anos, me martirizei por reconhecer meus erros e pensar que o problema de não conseguir um relacionamento sério estaria comigo. Tenho muitos defeitos. Conheci pessoas dispostas a construir algo, mas declinei de todas as propostas. Me apaixonei de novo, mas não me permiti ir adiante, pois as sequelas do último relacionamento ecoavam em meu ser numa síntese de medos e preconceitos. É difícil admitir que a falta de alguém é um problema a ser superado.

Nessas idas e vindas da vida, ensaiamos por duas vezes um retorno. Pesou muito a opinião dos nossos amigos. Algo que hoje, definitivamente, não faria diferença. Quem sabe da minha vida sou eu, diria o poeta. Mas em uma dessas recaídas, uma conversa franca mudou o rumo de toda uma história e eu, já medicado e bem, entendi a verdade surgir como um nocaute certeiro que nos faz ver estrelas. Nesse caso, não dá gloria, mas da derrota por viver algo que nunca existiu.

Não percebi que meu relacionamento não ia bem há tempos. Achava que a falta de interesse poderia ser superada e que a diferença de idade era apenas um obstáculo a ser superado. Idealizei algo que se desfez em minhas mãos. Enquanto fazia planos para o futuro, a pessoa que amava se deitava em outro colo e abria os olhos para uma vida cheia de possibilidades na solteirice. Doeu por muito tempo, mas agora não dói mais. Parece letra de música, mas é verdade.

Depois de seis parágrafos, chegamos ao ponto central do meu pensamento. Pela primeira vez, depois de cinco anos, me sinto livre do sentimento de culpa que carreguei pelo fracasso da minha relação. Essa sensação de liberdade é maravilhosa e contempladora. E vejo novas possibilidades, pois eu estou vivo para me permitir.

E logo eu que sempre aconselho meus amigos a não depender emocionalmente de ninguém, vejo o despertar, a alvorada de ser sincero comigo e compreender que minhas ações e emoções deveriam vir em primeiro lugar. A gente precisa se respeitar. A dependência emocional pode ser uma prisão sem algemas e só podemos ter um veredicto favorável e formos advogados do nosso próprio coração. Se ame antes de tudo! E não deixe ninguém dizer o contrário!

*Jornalista e cientista político, Denilson Avelino é editor-chefe do Portal iFloriano.com. Repórter da Rede CBN (Central Brasileira de Notícias) no Piauí. Vencedor de algumas premiações, como o Prêmio Piauí de Reportagem, Avelino já passou pelas redações do Sistema de Comunicação de Picos, Rede Meio Norte e Revista Fecomércio. Escreve sobre cotidiano, sociedade, política e tudo mais que der vontade. 

DEIXE SEU COMENTÁRIO

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

%d blogueiros gostam disto: